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.:: O Cavalo Crioulo
   
"Resistente e rústico,
manso e funcional,
esse animal fez sua fama
no Sul e espalha-se pelo país"

 

 
   

Herdeiro dos primeiros berberes trazidos à América pelos conquistadores espanhóis, o cavalo crioulo se criou solto, selvagem em manadas. Anos passados debaixo de chuva e sol forte transformaram-no num animal resistente a mau tempo, esforço físico e comida escassa. Tornou-se companheiro indispensável na lida cotidiana no campo e nas sangrentas batalhas que demarcaram as fronteiras do Cone Sul. Nessa primeira fase de sua história, a raça crioula sofreu uma seleção natural, pois o gaúcho o criava completamente a campo e escolhia os mais aptos para suas necessidades de trabalho.
Hoje, sem ter abandonado sua vocação de trabalho duro, o crioulo chega às passarelas de leilões, tratado em cocheiras. Suas virtudes já lhe garantiram a cobiça de criadores sul-americanos, assim como asseguram nos leilões preços mais próximos dos que são obtidos por animais de raças mais sofisticadas, como o cavalo árabe e o puro-sangue inglês.

Assim para que desempenhe com brilho as provas de perícia e habilidade, como o Freio de Ouro, o crioulo tipicamente gaúcho é enriquecido com sangue de cavalos chilenos, tidos como mais ágeis e funcionais, capazes de participar com brilho em provas difíceis que lhes exigem dar voltas curtas sobre as patas, máster velocidade e estacar subitamente, andar em torno de tambores, obedecendo fielmente ao comando do ginete. Ou lhe exigem ainda a destreza e a força, como na “paleteada”, em que dois cavaleiros perseguem a galope um boi solto no pasto, prendendo-o em plena corrida entre os corpos das montarias. Antes dos chilenos, foram os cavalos argentinos que chegaram ao Brasil, trazidos por criadores interessados em qualificar seus animais com beleza morfológica. Esses cruzamentos procuram obter um cavalo que seja mais leve de frente e mais poderoso nas patas traseiras, de bons aprumos (linha das patas) e com tendões que suportem o esforço. O padrão é um cavalo bonito e funcional, e que não perca em rusticidade e docilidade.

 
Fonte: Adélia Porto - Revista Globo Rural.
   
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