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Na formação do Rio Grande do Sul, desde o início
de sua povoação, até a conquista definitiva de seus
limites, o cavalo sempre foi o companheiro inseparável do campeiro.
A afinidade é tão grande que surgiu o adágio popular:
“cavalo que não é parecido com seu dono é roubado”.
Como ninguém quer ser recusado de ser parecido com seu cavalo cheio
de baldas ou estilo esquisito, os peões gostam de encilhar pingos
elegantes e bem domados. Um bom pingo tem muito valor para o campeiro.
Um cavalo baldoso ou mal domado causa muito desgosto ao seu dono. Quem
é caprichoso não encilhava cavalo ruim, que é chamado
de matungo ou pilungo. |
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| Vejamos alguns tipos de cavalos, comuns em nosso pago: | ||||||||||||||||||||||||
CAVALO
GAVIÃO – É o cavalo arrisco ou aragano. Toma
a ponta da manada, não se deixa pegar. É o cavalo matreiro
e refugador de porteiras, mangueiras ou mata-burros. CAVALO FOGOSO – Cavalo de explosão. Salta longe. Pede freio. A melhor forma de amansá-lo é colocá-lo na lida contínua e demorada. Bom serviço para perder o costume é acompanhar uma carreta, cuja monotonia da estrada faz perder a pressa. CAVALO MARCHADOR – Cavalo que anda em forma de marcha. São movimentos das patas dianteira e da trazeira, do mesmo lado, ao mesmo tempo. Andar em forma de bailado, conduzindo o cavaleiro de forma baralhada. Dá a impressão, com sua ginga de corpo, de querer arrastar-se para caminhar. CAVALO TAFONEIRO – Cavalo que só atende para um lado. Próprio para puxar moinhos em círculos, engenhos de cana, etc. CAVALO NEGADOR – É o cavalo que dá negadas. Atira-se para o lado, quando o peão alça a perna para monta-lo. Cavalo que a qualquer movimento dá uma brusca queda no andar, atirando o cavaleiro para outro lado. Cavalo que adquire defeitos depois de velho, geralmente refugando os elevados pesos carregados ou cargas barulhentas. CAVALO APORREADO – Cavalo com doma incompleta, por sua rebeldia. Cavalo carboteiro, solto ao campo por chucro e de doma impraticável. Potro respeitado pelos domadores, na condição indomável. É usado somente para concursos de ginetes, nos rodeios e festas campeiras. CAVALO PASSARINHEIRO – Cavalo assustado e sestroso. Pingo que passeia na passarela, de um lado a outro da estrada. CAVALO PACHOLA – Cavalo fogoso, garboso, disposto e que anda pedindo freio. Pingo de passear nos domingos. Próprio para desfiles nas passarelas. Cavalo faceiro, que desfila empinando-se. CAVALO DOCE DE BOCA – Cavalo que o domador castigou demais o bocal. Quebrou demais os queixos. Muito sensível de boca, nem bem sente o frio, já atende. Cavalo sem confiança, pisa num lugar só e se desgoverna. Chamado, ainda, de cavalo quebrado de boca. CAVALO RUFIÃO – Cavalo mal castrado. Porta-se como um garanhão, porém não tem poder de fecundação. Torna-se cavalo de mau engorde. CAVALO CABANO – Cavalo que tem duas orelhas caídas, em forma de chapéu velho. Cavalo dito mocho e que tem fama de carboteiro. CAVALO REIÚNO – Cavalo que anda de mão em mão. Cavalo sem marca. Que pertence á tropilha do Exército Nacional. |
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