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Entrevista com Régis Marques |
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No
dia 08 de maio de 2004 o site entrevistou Régis
Marques do Grupo Rodeio, conhecido como um dos maiores sanfoneiros
de todos os tempos. Régis Marques e sua gaita Menghini vêm
balançado os fandangos de todas as regiões do Brasil.
Autor do chamamé “Gritos de liberdade” vem sempre
resgatando em suas composições a verdadeira essência
da vida e lida campeira. |
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| Site:
Régis a sua cidade natal é São Leopoldo? |
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Régis:
Isso, eu nasci em São Leopoldo e a maioria dos integrantes
do Grupo Rodeio é de São Leopoldo, meu pai é
da fronteira, é de São Tiago do Boqueirão e
minha mãe é leopoldensse. No dia 26 de fevereiro de
1966 nasceu esse sanfoneiro véio em São Leopoldo. |
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Site:
Quando é que você começou a sua vida artística
como músico? |
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Régis:
Bueno. Minha mãe sempre quis ser cantora porque
na rádio de São Leopoldo ela cantou junto com a Elis
Regina, mas meu avô naquela época não queria
que a filha fosse cantora daí ele cortou o barato da minha
mãe e da minha tia que também queria ser cantora.
Então quando nasci minha mãe logo viu que eu tinha
queda para arte, para música e com três anos de idade
ela me levou para um programa de televisão onde eu imitei
o topo gigio e ganhei o primeiro lugar onde ganhamos uma casa imobiliada,
e aí já com seis anos eu comecei a tocar guitarra
em uma bandinha de sopro que tocava em São Leopoldo, eu também
cantava com eles. O dono desse conjunto gostava muito de mim porque
eu era um piazinho assim meio metido e conversava e agradava o povo
e cantava um inglês bem mentido,aí com aquilo comecei
a tocar rock, pop com os amigos e com nove anos eu ingressei na
música gaúcha. |
Tive o convite da dupla “Nei e Ket” que eram afiliados
do Teixeirinha na época e eram marido e mulher, Com eles
eu toquei contrabaixo e guitarra, até os 14 anos e depois
fui tocar guitarra com o grupo Alma Crioula de Canoas do Gaiteiro
Léo Souza, depois comprei uma gaita pra mim e com 16 anos
comecei a beliscar a gaita e parei com o rock deixando a guitarra
de lado, pois mesmo estando tocando música gaúcha
eu tirava muito som do pop e rock. Com isso pintou a necessidade
de ter o próprio grupo, pois quase sempre a gente trabalha
para outros grupos e as coisa que tu pensa que tu queres fazer,
tu não tens força para mexer com isso. Então
eu e um amigo resolvemos começar o grupo. A gente fazia dupla
sertaneja na escola e um dia tivemos a oportunidade de um amigo
que tinha um equipamento montado em uma festa para tocar e o grupo
dele não podia, então ele pegou a gente assim na corrida
e fomos lá e tocamos o baile. Com isso brotou aquela coisa
dizendo que ta na hora da gente montar o nosso conjunto, comprar
uma aparelhagem. A primeira aparelhagem do Grupo Rodeio foi comprada
desse senhor que deu inicio pra mim quando eu tinha 6 anos de idade
por ter deixado eu participar da banda dele que era a banda Boa
Vista. E aí começou o Grupo Rodeio quando eu tinha
16 anos e eu já sabia tocar gaita assim nas teclas brancas,
mas não sabia pegar nos baixos, mas começamos, pois
quando gente quer não ta preocupado com qualidade, pois o
começo foi no empurrão tocando Fuscão Preto
e todos os sucessos da época e hoje o Grupo Rodeio tem 22
anos. |
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Site:
Régis você já tocou vários instrumentos
e destes instrumentos qual foi o que você mais se identificou
e teve alguma influência? |
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Régis:
Eu sempre tive muito apoio quando eu comecei a tocar gaita,
eu me espelhei muito no Albino Manique que é para mim o homem
que reinventou a gaita na música gaúcha e até
hoje acredito que seja o ícone da nossa gaita Rio Grandesse
reconhecida em todo Brasil e até no mundo todo como um dos
melhores gaiteiros. Tive a felicidade de trabalhar com os Mirins
e com o Albino, onde vendo ele tocar aprendi muita coisa e depois
disso o Albino abriu para mim as portas dos estúdios de gravação
e a partir disso comecei a gravar e acredito que eu já devo
ter gravado mais de mil discos para os colegas músicos então
a gaita foi onde eu me destaquei e comecei a ganhar nome. Minha
preocupação sempre foi à gaita, mas eu com
14 anos, cheguei a ser uma promessa de ser o maior guitarrista do
Rio Grande do Sul e quando comecei com gaita passei todos os conhecimentos
para o acordeom e também ensaiava de 8 a 12 horas por dia.
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Site:
Régis você citou o Albino Manique, mas além
do Albino existe algum outro músico que você se inspira
para tocar ou compor? |
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Régis:
Bueno. Um que foi meu professor de postura e com quem aprendi
muito e também convivi longos anos foi o cantor Leonardo
e a ele eu devo o Grupo Rodeio por estar de pé, pois foi
ele que deu aquela alavancada ao grupo, foi ele que nos ensinou
a nos portar nos ambientes a receber o carinho dos fãs e
ele também me inspirou no meu lado compositor, o Leonardo
sempre dizia que escrever uma música é como bater
uma fotografia se tu der dois passos para o lado já vai mudar
a foto. Eu aprendi também com Leonardo que a música
tem que ficar e mesmo após a morte para que tu te tornes
vivo no meio das pessoas através da música que você
deixou. Compor uma música é como a gente aprender
a escrever começa com garrancho e depois a gente vai lapidando
a escrita até chegar em uma letra bonita então é
dessa forma que me encorajei e comecei a fazer minhas músicas. |
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Site:
Nós como ouvintes do Grupo Rodeio, notamos que as suas composições
levam a história dos antepassados do Rio Grande do Sul um
exemplo é “Gritos de Liberdade” e em todos os
seus álbuns você sempre continua tratando desse assunto.
O que te leva a compor este tipo de música? |
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Régis:
Quando nasceu “Gritos de Liberdade” a gente
estava fazendo o disco Carreteadas e meu amigo Bacudo falou que
a gente precisa de um chamamé mais bonito que determinado
chamamé acho que era Peão Farrapo que os Garotos de
Ouro tinham gravado e ele gostava muito do carinho do povo com esse
tipo de tema e essa forma do chamamé contar a história
ou de chamar atenção da cultura. Então eu falei:
"capaz que vamos conseguir fazer uma música igual ou
parecida", e ele falou: "se tu fizeres uma música
que seja a metade que aquela já ta bom". Fomos para
casa, ele foi tomar banho e enquanto ele tava embaixo do chuveiro
eu já peguei o violão e acho que não demorei
15 minutos para fazer aquela música aí cheguei cantei
pra ele e ele saiu do banho bem maluco dizendo cara o que tu fez,
pedindo para mim cantar de novo e ele falava cara essa música
ficou muito boa. Gravamos então “Gritos de liberdade”
que acabou explodindo e vimos que é por aí né
tchê. Da mesma forma foi com a “Iguaria Campeira”,
pois ele queria regravar, o Churrasco de José Mendes, e eu
nunca fui a favor de regravar, eu sempre gostei de regravar coisas
que não era do meio gaúcho e trazer para gauchada,
tudo bem falei pra ele que eu ia fazer uma música falando
de churrasco. Como todos os dias nós fazemos churrasco lá
em casa, enquanto a gente tava fazendo a carne, acendendo o fogo,
espetando, salgando a carne eu fiz o primeiro verso da Iguaria Campeira
e o estribilho, cantei pra ele a música e ele falou é
essa aí e já foi fazendo o segundo verso falando do
arroz carreteiro e com isso nasceu a música. É dessa
forma que a gente vê que a música, que fala da cultura,
do costume, do amor do respeito, e até mesmo da história
que toca mais fundo e chega primeiro na frente e o nosso grupo sempre
teve preocupado em estar se identificando com os jovens e graças
a Deus hoje os jovens estão se identificando com o lado campeiro.
O importe é ter aquela música que identifica, e agora
no nosso novo disco, décimo quarto, gravamos um chamamé
chamado “De Tanto Pelear” que também tem haver
com Gritos de Liberdade, pra mim até acho mais linda, pois
Gritos de Liberdade relata o momento da Guerra e o “De Tanto
Pelear” relata a morte de um guerreiro que é um guerreiro
relatando sua própria morte, então “De Tanto
Pelear” é uma conseqüência de “Gaúchos
de Fato”, “Cem Anos de Glória” e “Gritos
de Liberdade” e essa música “De Tanto Pelear”
o guerreiro ta morrendo e relatando o que ta acontecendo e fala
que amanheceu tampado com a bandeira do Rio Grande e conta que quando
ele morreu, ele caiu do cavalo e quebrou a pata do Cavalo e ele
realmente caiu de tanto pelear e eu só não falei na
letra como ele foi ferido pois a gente não quer dramatizar
demais. |
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| Site:
Pois é Régis, em relação ao Grupo Rodeio
o que você vê para o futuro? |
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Régis:
Eu vejo que para o amanhã do Grupo Rodeio as coisas
estão começando a fluir agora, porque antigamente
eu tinha um sócio e hoje sou o dono do grupo eu sempre fui
uma pessoa que procurou ouvir os colegas, às necessidades,
e a gente sempre quis que os fãs cantassem com a gente sucessos
de ontem, de hoje e se sintam assim felizes e absorvam toda a nossa
poesia, balanço, tranco e alegria que o grupo tem. Eu espero
que no futuro do Grupo Rodeio o grupo tenha muito sucesso e que
nossas músicas sempre toquem o coração das
pessoas. |
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| Site:
Régis e o Grupo Rodeio fora do Brasil? |
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Régis:
A gente já teve um convite para irmos para os Estados
Unidos tocar e foi bem na época que deu o problema com as
torres gêmeas e aí foi cancelado o trabalho e também
nos não tornamos a entrar mais em contato com o empresário
amigo da gente lá dos Estados Unidos, mas a gente sabe que
todos os grupos que tocam músicas do Rio Grande, tem grandes
chances de buscar trabalho no exterior. Temos notícias que
tem músicas nossas tocando em rádios no Japão,
tem uma amiga nossa de Curitiba que nos pediu uma caixa de cds e
levou para lá e a letra foi escrita em japonês. Nos
Estados Unidos também já mandamos mais de duzentos
cds para os amigos de lá e isso faz que a gente se sinta
de certa forma colaborando com a cultura do Rio Grande. |
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Site:
Régis nós no site SouGaucho.Com.Br agradecemos a entrevista
cedida pela sua pessoa e desejamos que o Grupo Rodeio sempre tenha
muito sucesso. |
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Régis:
Muito obrigado em nome do Grupo Rodeio. A gente só
tem a agradecer a vocês pela iniciativa em aproximar o artista
e até mesmo a cultura do Rio Grande das pessoas que querem
conhecer um pouco mais dos costumes do nosso povo, da história
e do nosso chimarrão, enfim de tudo que rodeia o nosso sul
brasileiro. Esperamos que com este site vocês possam encontrar
amigos e fazer novas amizades e abrir caminhos para que possa ser
difundida nossa cultura. Agradecemos o carinho de ter lembrado de
nós e sempre estamos de portas abertas para falar sempre
da nossa vida em relação à cultura e também
falar do nosso povo com carinho e de quem a gente tem muito a agradecer
ao longo dos anos e agradecer a essa venda sublime do nosso disco
acústico, que foi mais de quarenta mil cópias e comunicar
aos amigos que já está, em todas as lojas nosso novo
cd “A voz do Rio Grande” que na primeira semana de vendagem
ultrapassou as quinze mil cópias. Muito obrigado aos amigos
que curtem a música gaúcha e aos fãs do Grupo
Rodeio. |
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| Por
Adriano Luiz Moretti e Sandro Roberto Ferarri. |
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