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| .: Primeira lenda | |||||||||||||
Era
sempre assim: a tribo derrubava um pedaço de mata, plantava a mandioca
e o milho, mas depois de quatro ou cinco anos a terra se exauria e a tribo
precisava emigrar à terra além. Cansado
de tais andanças, um velho índio um dia se recusou a seguir
adiante e preferiu quedar-se na tapera. A mais jovem de suas filhas, a
bela Jary, ficou entre dois corações: seguir adiante, com
os moços de sua tribo, ou ficar na solidão, prestando arrimo
ao ancião até que a morte o levasse. Apesar dos rogos dos
moços, terminou permanecendo junto ao pai. Essa atitude de amor
mereceu ter recompensa. Um dia chegou ao rancho um pajé desconhecido
e perguntou a Jary o que é que ela queria para se sentir feliz.
A moça nada pediu. Mas o velho pediu: "Quero renovadas forças
para poder seguir adiante e levar Jary ao encontro da tribo que lá
se foi". Entregou-lhe o pajé uma planta muito verde, perfumada de bondade, e ensinou que ele plantasse, colhesse as folhas, secasse ao fogo, triturasse, botasse os pedacinhos num porongo, acrescentasse água quente ou fria e sorvesse esta infusão. "Terás nessa nova bebida uma companhia saudável mesmo nas horas tristonhas da mais cruel solidão". Dada a receita, partiu. Foi assim que nasceu e cresceu a caá-mini. Dela resultou a bebida caá-y que os brancos mais tarde adotaram com o nome de chimarrão. Sorvendo a verde seiva o ancião retemperou-se, ganhou força, e pôde empreender a longa viagem até o reencontro com os seus. Foram recebidos com a maior alegria e toda tribo adotou o costume de beber da verde erva, amarguenta e gostosa, que dava força e coragem e confortava amizade mesmo nas horas tristonhas da mais total solidão. |
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| .: Segunda lenda | |||||||||||||
Lenda
dos índios guaranis do sul do Brasil narra o surgimento da erva-mate,
com a qual se prepara o tradicional chá. Diz a lenda que o índio
Jaguaretê foi expulso de sua tribo por ter matado sem culpa um outro
índio e que depois de caminhar muitos dias e noites, quase desfalecido
de cansaço caiu perto de uma árvore desconhecida. Durante
o seu sonho a deusa Caalari (deusa protetora das ervas) lhe ensinou a
preparar uma bebida das folhas da árvore e graças a este
chá ele se recuperou e ficou forte e saudável. Visitado
muito tempo depois pelos índios de sua antiga aldeia, Jaguaretê
ofereceu-lhe o chá de erva-mate, o que lhe permitiu voltar a tribo
para ensinar a preparar a bebida para toda a aldeia, difundindo assim
o chá por toda a região. |
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| .: Terceira lenda | |||||||||||||
Conta-se
que Deus, acompanhado por São José e São Pedro, em
uma longa jornada, pediu pousada na casa de um índio, já
velhinho e muito pobre, que tinha como único bem, uma jovem e linda
filha. O
bom índio acolheu os incógnitos visitantes com carinho e
hospitalidade. Querendo
recompensá-lo, Deus disse ao ancião: -
Vou premiá-lo pela generosidade de sua acolhida, tornando imortal,
sua bela e inocente filha, a quem você quer tanto. E assim, Caá-Yari,
a jovem guarani, foi transformada na árvore da erva-mate, que desde
então existe e por mais que a cortem, sua folhagem volta a brotar
e a florir sempre mais vigorosa, permanecendo eternamente jovem. Caá-Yari
tornou-se a deusa dos ervais protegendo suas selvas, favorecendo os ervateiros,
abreviando seus caminhos, diminuindo-lhes o peso dos feixes e mitigando-lhes
a árdua e cansativa jornada de trabalho nos ervais. |
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