Tudo começou com o imigrante alemão Guilherme Danker. Ele trouxe do seu país um bandoneon que tinha um manual de afinação. Guilherme teve sete filhos, e um deles, Otto, começou a estudar e entender este manual. “Assim nasceu a oficina, que foi passada para meu pai, e depois para mim”, conta Paulo Oscar Danker, representante da quarta geração da família Danker, que iniciou os trabalhos na década de 20.
O avô, Otto, utilizou vários recursos até chegar no acordeom. Chegou a fabricar badoneons novos e depois de muita pesquisa é que começou a trabalhar com os acordeões. “A diferença entre os instrumentos está no som. O bandoneon produz sons diferentes ao abrir e fechar o fole, já o acordeão produz o mesmo som, seja abrindo ou fechando”, explica Paulo.
Os instrumentos também possuem nomes diferentes de acordo com a região do país: no Rio Grande do Sul o acordeão (nome científico) é conhecido como gaita, no nordeste é sanfona.
Hoje a oficina faz mais do que afinar os acordeões. Os instrumentos com problemas são cuidadosamente estudados, para depois ser reformados, trocados o fole, as alças e polimestos. Afinar e restaurar os acordeões exige grande perícia mental, visão ótica de como executar a tarefa. “Cada acordeon é diferente do anterior. Só os que são da mesma marca são levemente parecidos”, afirma.
Paulo Oscar Danker começou cedo a aprender a afinar e restaurar os instrumentos típicos da cultura alemã e italiana: comecei aos cinco anos, sob supervisão do meu pai (Ernesto Danker), só 15 anos depois é que eu estava apto para trabalhar sozinho.
A profissão de afinador é rara. Por isso a clientela é variada, desde grupos musicais de Santa Catarina e Paraná, além de instrumentistas de uso particular. “As pessoas trazem os instrumentos pessoalmente, alguns chegam a ficar esperando em hotéis até o serviço ficar pronto”, afirma. Os clientes mais famosos da Oficina de Acordeões Danker é o Edson Dutra, acordionista do grupo Os Serranos, além das bandas Tchê Garotos, e do Grupo Minuano. “Outro cliente famoso era o maior colecionador de Santa Catariana e talvez do Brasil, Valdemiro Nazato, de Blumenau, que faleceu recentemente”, recorda.
A sucessão da família Danker ainda não está preparada para assumir um dos maiores destaques de Guaramirim. “Tenho duas filhas, que se um dia se interessarem pelo assunto vão ser bem vindas, mas não quero forçá-las a nada”.
Além das dificuldades no aprendizado, os materiais para efetuar as reformas são quase importados, com a exceção do couro, que Paulo compra aqui na região. “O revestimento, chamado de celulóide, é importado do Japão, algumas outras peças, vem da Itália”. Para conseguir estes materiais, Paulo conta com a ajuda de um amigo, que conserta acordeões em Goiânia, capital de Goiás. |