:: Um pouco da história

   
O melhor do gaúcho pode ser definido pela história que mistura realidade e mito contada a respeito do índio Sepé Tiaraju, ferido de morte em Fevereiro de 1756, na batalha de Caiboté, defendendo as coxilhas.

Seu nome é sinônimo de bravura, liberdade e honestidade. A partir dele os poetas cantaram pela primeira vez que as coxilhas só tinham um dono: o gaúcho.
Na verdade este misto errante, para uns poucos, libertário para muitos, este conjunto de homens livres, construiu uma história que impregnou os sentimentos de milhares de pessoas na diversas regiões do Brasil tendo ou não ligações sangüíneas com o gaúcho, estas figuras depois de longas jornadas no lombo do cavalo, paravam nos bolichos para tomar o mate, a cachaça e dedilhar a viola em homenagem as moças que deixaram lembranças que com eles viajaram.
O gaúcho cruzava freqüentemente as fronteiras do Brasil, Uruguai e Argentina numa rotina que desprezava as fronteiras estabelecidas por governos imperiais. Sua pátria limite no horizonte e nos redemoinhos dos sonhos que embalava nas longas e intermináveis cavalgadas. Se identificados por esta filosofia, gaúchos são também os bons cavaleiros mexicanos, o cowboy americano, o Ilanero venezuelano e o guaso chileno.
Não menos autêntico são os gaúchos que se formaram no planalto serrano, a apartir de 1655, quando ali aportaram os primeiros brancos em companhia dos jesuítas espanhóis, aliás a que pertencia o planalto catarinense, enquanto vigorou o tratado de Tordesilhas, embora este nunca tenha sido reconhecido pelos portugueses que incentivavam os bandeirantes em suas investigadas além da linha imaginária que chegava até Laguna.

   

Da história e do falclore gaúcho, hoje, além de vasta bibliografia, chama especial atenção o cultivo crescente que suas tradições ganham nos milhares de CTGs que se espalham pelos estados do sul e outros regiões do país. O espírito forte do homem do pampa impregnou-se definitivamnete em vastas camadas urbanas que nos dias de feriados e de folga se põe às lides campeiras. São famílias inteiras que se pudessem dedicavam todo tempo nestas atividades. São os próprios homens do campo, peões experientes, corajosos, destemidos, que em diversas competições mostram destreza e habilidade no manejo de animais xucros ou em provas ornamentais.

 
Na verdade a presença de tantas nacionalidades na colonização da América Latina estende o tamanho das discussões de acordo com os muitos costumes incorporados a vida dos pampas. A unanimidade encontra eixo único quando se descreve este tipo como homem de gosto pelas viagens, alma libertária e com a necessidade de muito espaço mas muito espaço mesmo. Tal Golin chegou a sentenciar o fim dos gaúchos com o nascimento das cercas demarcando as terras.
 
Fonte: Tradição Gaúcha em Santa Catarina. 136p.
     
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