.:: Os Trajes Indígenas
 
Ora, o homem que veio fazer a América e que naturalmente se vestia à européia, aqui chegou e encontrou, nos campos, índios missioneiros (tapes, gês-guaranizados) que constituíram a matéria-prima trabalhadora pelos padres jesuítas nos Sete Povos das missões, e índios cavaleiros (Mbaias: charruas, minuanos, yaros etc ...) estes assim chamados porque prontamente se adoraram do cavalo trazido pelo branco, desenvolvendo uma surpreendente técnica de amestramento e equitação. Os missioneiros vestiam, à época conforme a severa moral jesuíta. Desde logo passaram a usar os calções europeus e em seguida a camisa, introduzida nas missões com grande sucesso pelo Padre Anton Sepp. Mas os homens usavam ainda uma peça de indumentária não européia proximamente indígena – “el poncho”, isto é pala-bichará. Com efeito, tratava-se de um grande retângulo formado de dois panos de tecidos de lã, incompletamente costurados, deixando uma abertura no centro, por onde enfiava a cabeça.
  Indumentária do Índio e índia
 
Essa peça de indumentária não existia no Rio Grande do Sul antes da chegada do branco, pois os nossos índios pré-missioneiros não teciam nem fiavam. Também é importante assinalar que os padres descobriram cedo a atração que as vestes religiosas e as fardas militares exerciam sobre os índios e distribuíram largamente essas roupas entre os missioneiros. Assim, figurar o Alferes Real José Tiarayu, o Sepé, desnudo ou vestindo chiripá, é erro grosseiro. Ele usaria a farda correspondente ao seu alto grau militar, ou estão se vestia civilmente, com bragas, camisa e poncho.
 
A mulher missioneira usava comumente o “tipoy”, longo vestido formado por dois panos costurados entre si, deixando apenas sem costurar duas aberturas para os braços e uma para o pescoço. Na cintura, era apertado por uma espécie de cordão, chamado “chumbé”. O “tipoy” era feito de algodão, branquicento, mas sem seguida se tornava avermelhado, com o pó das Missões. Em ocasiões festivas, a índia gostava de luzir um alvo “tipoy” de linho de algodão, do diário. Só nas vestes religiosas – sobretudo nas procissões – as missioneiras trajavam mantos de cores dramáticas, como o roxo e o negro.
 
Os chamados índios cavaleiros – seis parcialidades distintas e até inimigas entre si, mas com os mesmos caracteres gerais – usavam duas peças de indumentária foi-nos deixada por D. José de Saldanha, que entrevistou os cinco mais importantes caciques minuanos (Batu, Maulein, Salteinho, tajuy e D. Miguel de Caray) em 1787, na fronteira oeste do estado. O chiripá era, então uma espécie de saia, constituída por um retângulo de pano enrolado da cintura até os joelhos. O cayapi dos minuanos era, a essa época, um couro de boi, inteiro e bem sovado, que se usava às costas, como manto ou capa, com o pelo para dentro e carnal para fora, pintado com listas verticais e horizontais, em cinza e ocre. À noite, servia de cama, estirado no chão.
 
A mulher, entre os índios cavaleiros, usava apenas o chiripá, já descrito em forma de saia, deixando o torso desnudo. Ao rosto, pintura ritual de passagem, assinalando a entrada na puberdade: Três riscas que desciam da testa ao raiz e duas listas horizontais cortando-as. Ao Pescoço, colares de contas ou dentes de feras.
 
Fonte texto / Imagens adaptadas de: Antonio Augusto Fagundes - Indumentária Gaúcha. 86p.
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84p.
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